Sindicato ignora determinação judicial

21/06/2012 09:25

2012-06-21 09:06

Percentuais mínimos de circulação de frotas foram descumpridos no primeiro dia de paralisação. Motoristas seguem em greve

Somente em três períodos do primeiro dia de greve dos motoristas de Fortaleza o percentual mínimo de circulação de ônibus estabelecido pela Justiça foi cumprido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Ceará (Sintro). Os dados são de relatórios da Empresa de Transporte Urbano (Etufor).

Das 5 às 13 horas, a frota ficou abaixo dos 70% determinados para momentos de pico (das 5 horas às 8h30min e das 16h30min às 22 horas) e 50% para os demais horários. Apenas das 13 às 16 horas o quantitativo ficou dentro do estabelecido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7). Pela decisão judicial, o descumprimento gera multa diária de R$ 50 mil ao Sintro.

O momento crítico deu-se entre 11 horas e meio-dia, quando apenas 13,31% da frota prevista estava em operação. Isso representou 163 veículos nas ruas - diante de uma necessidade de 1.225.

 

Greve continua

Em nova assembleia no fim da tarde de ontem, a categoria decidiu, unânime, pela manutenção do movimento por tempo indeterminado.

O Sintro garante que a decisão do TRT-7 será cumprida a partir de hoje. O mesmo foi dito pela diretoria do órgão logo após a greve ser anunciada, na terça-feira, 19. “Quando fomos notificados (da determinação do TRT), já era 11 horas e as coisas estavam rolando desde a madrugada. Mas tenho fé em Deus de que isto um dia venha a acontecer. Vamos tentar. Essa é a orientação”, argumentou o assessor político do sindicato, Valdir Pereira.

Ele criticou o percentual fixado pelo Tribunal. O valor foi 10% abaixo do solicitado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Sindiônibus). “70% é o que roda normalmente (sem greve), porque os outros 30% ficam nas garagens para reserva e manutenção. A decisão da Justiça é para acabar com a nossa greve”, atacou.

Presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira classificou a paralisação como “sem nenhum sentido ou motivação razoável”. E descartou chance de nova negociação entre empregados e patrões. Oito rodadas aconteceram antes da deflagração do movimento paredista.

Barreira denunciou ações de depredação contra veículos e o envolvimento de trabalhadores da construção civil em tumultos na greve dos motoristas. Essa outra categoria envolveu-se em inúmeros atos de vandalismo quando cruzou os braços no mês passado.

O Sindiônibus também condenou a ligação do Sintro a partido político (especificamente ao PSTU), já condenada pela prefeita Luizianne Lins (PT), conforme O POVO publicou ontem. “Isto dificulta que o processo avance”, avaliou Dimas, que diz esperar posição do TRT-7 sobre o dissídio e o reajuste indicado. O pedido foi protocolado ontem.

Em nota emitida no fim da tarde de ontem, o sindicato patronal qualificou a greve comandada pelo Sintro como “movimento de cunho político que tem deturpado os interesses da classe laboral”.

Fonte: Opovo


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