Manifestação pacífica mais uma vez termina em conflito

A manifestação ocorrida nesta quinta-feira (27) no bairro Serrinha, próximo à Arena Castelão, teve o mesmo desfecho das realizadas em outros dias.
Confronto terminou com 68 adultos detidos e 24 adolescentes apreendidos.
O que começou como um ato pacífico e democrático, terminou em um confronto com a polícia e 92 pessoas detidas. A diferença é que desta vez o grupo que enfrentou as forças de segurança parecia bem mais preparado para o conflito. Além disso, houve várias denúncias de excessos com os agentes de segurança.
O movimento teve início às 10h em frente à Universidade Estadual do Ceará (Uece). Cerca de mil pessoas seguiram pela Avenida Dedé Brasil e outros se juntavam à multidão à medida que iam se aproximando da Arena Castelão, palco do jogo entre Espanha e Itália, válido pela fase semifinal da Copa das Confederações. Segundo a Polícia Militar (PM), o número total de manifestantes chegou a 5 mil pessoas.
O protesto seguiu pacífico até a chegada dos manifestantes na primeira barreira policial feita na Avenida Dedé Brasil, aproximadamente 1 km de distância da Arena Castelão. Por volta de 13h20 uma minoria que estava próximo a barreira da Polícia começou a lançar pedras, bilas, garrafas de vidro e em seguida furou a primeira barreira montado pela operação policial no local.
O que era uma manifestação pacífica, virou uma praça de guerra. A Polícia logo respondeu com bomba de gás lacrimogênio, na tentativa de dispersar os manifestantes. O Ministério Público do Ceará (MP/CE) estava acompanhando a ação da polícia e relatou que os policiais só reagiam após os ataques com paus, pedras, bilas e pedaços de vidro.
Segundo a assessoria do MP/CE, o órgão se manifestará oficialmente nesta sexta-feira (28).

Ônibus e veículos da imprensa são depredados
No meio do confronto, um grupo de vândalos infiltrados entre os manifestantes levou terror e muito desespero para torcedores que estava em um ônibus que levava torcedores para o Castelão. Eles cercaram o veículo, depredaram e forçaram os torcedores a descer às pressas.
A Polícia avançou com mais bomba de gás lacrimogênio e conseguiu dispersar os manifestantes. “Eu estava no ônibus e os baderneiros começam a jogar pedra. O motorista demorou a abrir as portas e várias pessoas ficaram feridas. Eu mesmo fiquei ferido na orelha”, comentou o funcionário público Alberto que estava a caminho do Castelão.
A minoria infiltrada entre os manifestantes ainda incendiou um carro de reportagem da TV Diário e depredaram um carro de outra emissora. Houve momentos de tensão entre os policiais. Um agente da Polícia Rodoviária Federal chegou a pedir para a imprensa recuar, “porque a situação está complicada e nós não vamos poder proteger vocês”, disse.

Manifestantes estavam preparados para uma guerra
As pessoas que enfrentaram a polícia na manifestação de hoje pareciam preparadas para uma guerra. Quando a Cavalaria da Polícia Militar avançou por uma rua lateral, foi surpreendida por manifestantes que os atacaram com pedras, bombas e fogos de artifício, forçando os agentes a recuar.

Manifestantes e moradores relataram excessos da polícia
Somente com o apoio da Força Nacional, os policiais do Batalhão de Choque conseguiram avançar. Após alguns minutos, agentes da Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO) surpreenderam os manifestantes por uma rua lateral e dispersaram o grupo.
Segundo algumas pessoas que estavam no local, incluindo jornalistas, o RAIO chegou em motocicletas atirando a esmo. Muitos reclamaram do excesso da ação policial, incluindo moradores da área.

Após o conflito, o cenário era de devastação, com placas de trânsito, pedaços de madeira e material de construção civil jogados pela rua, formando barricadas. Um centro comercial ainda não inaugurado próximo ao local do confronto teve paredes pichadas, banheiros completamente depredados e uma das lojas teve vitrine, espelho e ar condicionados quebrados.
Até a publicação desta matéria, 68 pessoas foram detidas e 24 adolescentes apreendidos, segundo o Coronel Carlos Ribeiro, do Comando Policiamento da Capital (CPC).

Fonte: dn


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