Brasil leva ouro, prata e bronze nos cem metros T11

06/09/2012 07:30

Do solo ao topo do pódio. Em uma competição marcada por histórias de quem ignorou as dificuldades para vencer na vida, Terezinha Guilhermina e Guilherme Santana usaram a velocidade para provar que não é preciso um passado trágico para bater no peito orgulhoso de uma volta por cima. Menos de 24 horas após viverem momentos de frustração com a queda do guia, que recebeu a solidariedade da velocista, nos 400m rasos T12, a dupla voltou ao Estádio Olímpico e pintou de dourado sua última imagem nas Paralimpíadas de Londres. Com 12s01, levaram a melhor nos 100m T11, quebraram o recorde mundial (12s04) e voltam para casa com dois ouros e a sensação de dever cumprido. Com "maria-chiquinha" no cabelo e a sua alegria de sempre, Terezinha fez a festa e vibrou muito com mais essa conquista.

O pódio da prova mais veloz para cegas dos Jogos foi todo brasileiro: Jerusa Santos, com o guia Luiz Henrique Barboza, cravou 12s75 e ficou com a prata, enquanto Jhulia Santos, com o guia, Fábio Dias de Oliveira, foi bronze, com 12s76. A chinesa Jia Juntingxia, com Donglin Xu, largou bem, mas ficou com a quarta colocação (12s79).

 Terezinha Guilhermina e Guilherme Soares, Jerusa Gerber e Luiz Henrique, Atletismo, Paralimpiadas (Foto: Agência Getty Images)
Com 'maria-chiquinha' no cabelo, Terezinha brilha ao lado do guia Guilherme Soares (Foto: Getty Images)

- Foi muito especial ter conquistado esse ouro depois de tudo que aconteceu ontem. Pude mostrar ao mundo que um dia podemos chorar, mas no outro temos a oportunidade de sorrir, de dançar... Essa medalha foi um presente, o sabor bem mais especial. Queria voltar para o Brasil sorrindo, e tenho um motivo enorme para isso agora – comemorou Terezinha.

Terezinha explicou ainda o visual especial para prova. Além da "maria-chiquinha", a velocista apresentou prendedores de cabelo coloridos e acessórios extravagantes nas pernas e nos braços.

- Tenho muitos fãs que são crianças no Brasil e sei que para eles é importante me ver no pódio, me ver sorrindo. Por isso, vim vestida de criança - disse.

Agradecido, guia presenteia Terezinha com medalha

Terezinha Guilhermina e Guilherme Soares 100m paralimpíadas (Foto: EFE)
Terezinha aplaude o guia Guilherme Soares após
conquistar a medalha de ouro  (Foto: EFE)

Protagonista da cena infeliz do dia anterior, Guilherme Santana viveu uma noite de alívio e felicidade. Após subir dançando com Terezinha no pódio, o guia falou da mistura de sentimentos ao cruzar a linha de chegada.

- Foi felicidade, alegria, tudo. Tive uma dor horrível na perna ontem e preferi me jogar. Sabia que a prova que a Terezinha mais queria era os 100m. Não podíamos perder essa medalha. Apaguei a queda da memória e conseguimos o recorde e o ouro.

Do lugar mais alto do pódio, Guilherme teve um gesto nobre: tirou sua medalha do pescoço e a colocou no de Terezinha. A atitude não foi de momento e o ouro foi realmente um presente para companheira:

- Já tenho a medalha dos 200m, essa está comigo. Dei essa para ele para agradecer o fato dela ter me desculpado.

Jhulia vibra com a conquista

A medalha de Jhulia também chegou acompanhada de um sentimento diferente. Nos 200m, a paraense chegou em quarto, herdou o bronze após desclassificação da própria Juntingxia, que foi puxada por seu guia, mas um protesto chinês impediu que a brasileira subisse ao pódio.

Pódio, Atletismo, Paralimpiadas, Terezinha (Foto: Patrícia Santos / CPB)
Pódio brasileiro nos 100m T11 nos Jogos Paralímpicos de Londres (Foto: Patrícia Santos / CPB)

- Ainda não acredito que isso esteja acontecendo. Estou naquela: será que é verdade ou não? O que aconteceu me fez refletir muito, fiquei um pouco traumatizada. Mas estou aí de novo, garantindo o que já era meu nos 200. Arrancaram a medalha de mim, mas eu sabia que conseguiria substituí-la.

Recordista mundial, Terezinha Guilhermina era a grande favorita para prova. Esta foi a sexta medalha da mineira de Betim em Paralimpíadas (três ouros, duas pratas e um bronze). Nos 100m T46, a brasileira Sjeila Finder terminou a final na quinta posição, com 13s33. O ouro foi para a cubana Yunidis Castillo (12s01) e a prata para a russa Nikol Rodomakina (12s49).

Fonte: g1

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