Cruzeiro marca aos 56 e empata com o líder Galo em dia de pintura de R49

26/08/2012 23:11

Sobraram emoção e polêmica no estádio Independência. Transbordaram vontade, transpiração e garra, atributos dignos de um grande clássico mineiro. E se faltou um futebol de mais qualidade, valeu a genialidade de Ronaldinho Gaúcho, que fez um gol de placa e novamente mostrou que vem reencontrando o seu melhor futebol em Belo Horizonte. E não faltou nem a polêmica: com um gol aos 56 minutos do segundo tempo, em lance que começou numa falta não marcada de Montillo em Guilherme, o Cruzeiro arrancou um empate com o Atlético-MG em 2 a 2, na noite deste domingo, na última rodada do turno do Brasileirão 2012. O jogo ficou sete minutos parado por causa da quantidade de objetos atirados no gramado pela torcida celeste, única presente no clássico mineiro. Ou seja, por tudo o que aconteceu, o jogaço ainda terá desdobramento durante a semana.

Em condição inferior no Brasileirão, os jogadores do Cruzeiro entraram em campo mais do que por apenas três pontos na tabela, mas para atrapalhar os planos do maior rival, líder da competição com uma campanha impecável. Consciente de suas limitações técnicas, a equipe celeste disputava cada espaço em campo como um "prato de comida" e abriu o placar com Wallyson. O Atlético-MG, tranquilo, buscava cadenciar as ações e chegar ao ataque com a certeza de não correr riscos no contra-ataque. Empatou no fim da etapa inicial, com belo gol de Leonardo Silva.

Como o jogo era muito disputado, brigado e, às vezes, até desleal, a torcida cruzeirense entrou na "pilha" no início do segundo tempo e, revoltada com a arbitragem do pernambucano Nielson Nogueira Dias, atirou diversos objetos no gramado, como pedaço de bolo, copos d'água e até mesmo um celular - Leandro Guerreiro e Bernard foram expulsos justamente depois de o volante cruzeirense pisou num pedaço de bolo para tentar evitar que o atleticano o mostrasse ao árbitro.

No total, 17.901 torcedores pagaram ingressos para acompanhar a partida e proporcionaram uma renda de R$ 482.270. No fim, Pierre também levou cartão vermelho, após falta dura em Montillo. Quando estava com um a menos, Ronaldinho Gaúcho partiu com a bola com velocidade do meio-campo, driblou dois e virou o jogo com uma pintura. Mas nos acréscimos, a Raposa roubou a cena com o empate, seguido de muita reclamação dos jogadores celestes.

Jogadores de Cruzeiro e Atlético-MG discutem no gramado (Foto: Lucas Catta Prêta / Globoesporte.com)
Jogadores de Cruzeiro e Atlético-MG discutem no gramado (Foto: Lucas Catta Prêta / Globoesporte.com)

Com o resultado, o Atlético-MG segue na liderança do torneio, com 43 pontos, um a mais que o Fluminense, mas com um jogo a menos, contra o Flamengo, em Volta Redonda. O Cruzeiro, com 28 pontos, está na oitava colocação, sete pontos atrás do Vasco, último integrante do G-4.

Na próxima rodada, o Atlético-MG receberá a Ponte Preta, quarta-feira, às 20h30m (de Brasília), no Independência. O Cruzeiro, por sua vez, encara o Atlético-GO, também na quarta, mas às 22h, no Serra Dourada, em Goiânia.

Emoção sem fim

O primeiro lance do jogo retratou a disposição com que o Cruzeiro entrou em campo. Fabinho tropeçou na bola, mas se jogou de cabeça no chão para tentar cortar a saída do Atlético-MG. Mas foi o Galo quem agrediu. O time alvinegro chegava pela direita e apostava nos cruzamentos. Jô era o alvo dentro da área e levava perigo nas bolas aéreas. Mesmo diante da torcida, o Cruzeiro se encolheu e apostou nos contra-ataques.

Fabinho e Montillo se movimentavam muito, na tentativa de deixar Borges em condições de marcar. Davam trabalho. Mas logo aos 12 minutos a Raposa perdeu Fabinho, machucado. Wallyson foi para o jogo e, no primeiro toque na bola, marcou. Aos 16, Montillo deu bom passe para Everton, que foi ao fundo e cruzou. Wallyson se esticou todo e, na pequena área, desviou para o fundo das redes.

O jogo ficou mais duro, com muitas faltas no meio-campo. O Atlético-MG passava mais tempo no campo de ataque, mas não chegava com perigo. Diante de uma defesa bem postada, faltava criatividade, e o único expediente era levantar bolas. Não funcionava. O time celeste mostrou-se irritado com a arbitragem. Aos 35, Mateus e Bernard se desentenderam, o bate-boca virou confusão generalizada e acabou com um cartão amarelo para cada lado.

Parecia que a Raposa iria para o vestiário com a vantagem no placar. Mas aos 47 a bola aérea alvinegra deu resultado. Ronaldinho cobrou escanteio da esquerda, a zaga desviou, e Leonardo Silva emendou de canhota, marcando um golaço. Tudo igual no primeiro tempo, e muitas reclamações celestes contra o árbitro, que deu quatro minutos de acréscimo.

Ronaldinho e Tinga, Cruzeiro x Atlético-MG (Foto: Washington Alves / Vipcomm)
Ronaldinho e Tinga disputam bola no meio-campo (Foto: Washington Alves / Vipcomm)

Clássico inesquecível

O segundo tempo mal começou e parou. Um copo de plástico foi arremessado no gramado pela torcida cruzeirense. O atleticano Bernard entregou o objeto ao árbitro. Depois, outro objeto foi jogado. Quando o meia alvinegro foi pegá-lo para mostrar ao árbitro, o volante Leandro Guerreiro tentou impedir. Os dois se empurraram. A partir daí, a confusão cresceu.

Vários copos d'água foram jogados no árbitro, um deles o acertou, e a partida ficou parada por sete minutos. Na volta, os dois jogadores receberam o segundo amarelo e foram expulsos. A bola voltou a rolar, e o jogo seguiu pegado. O Atlético-MG colocou um pouco a bola no chão e criou mais que a Raposa. Com mais espaço em campo, Ronaldinho Gaúcho começou a aparecer bem.

O Cruzeiro seguia na aposta do contra-ataque, mas teve dificuldades para chegar.
Aos 40 minutos, o sumido Borges recebeu na entrada da área, girou sobre o zagueiro e chutou. A bola não ganhou tanta força, mas contou com a falha do goleiro Vitor. Quase a Raposa voltou à frente no placar.

Logo depois, Pierre foi expulso por fazer falta dura em Montillo. Como o volante já tinha cartão amarelo, recebeu o vermelho. Quando se esperava que o Cruzeiro tivesse condições de conquistar a vitória, foi o Atlético-MG que marcou. Aos 44, Ronaldinho Gaúcho recebeu a bola em velocidade, passou por dois adversários, driblou um deles mais uma vez e tocou fora do alcance de Fábio, no canto esquerdo. Um golaço, digno de um craque.

O Cruzeiro não se intimidou e pressionou no fim, com Montillo acertando a trave em uma cobrança de falta. A bola foi no ângulo, e por pouco o Cruzeiro não conseguiu o empate mais cedo. Mas aos 56 - já que o jogo ficou parado muito tempo, por causa dos objetos arremessados no gramado, além dos lances de expulsão - aconteceu o polêmico gol de empate. Após lance que teve origem com uma falta não marcada de Montillo em cima de Guilherme, o zagueiro Mateus, após receber passe do colega de defesa Thiago Carvalho, tocou para o gol e igualou tudo, para protestos dos jogadores alvinegros e delírio da torcida celeste, única presente ao Independência.

Fonte: g1

 

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