Camilo e Eunício vão se enfrentar no segundo turno

Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) voltam a se enfrentar nas urnas no próximo dia 26. Camilo Santana, ao contrário do que anunciaram as pesquisas, ficou em primeiro lugar na disputa, com uma diferença de aproximadamente 60 mil votos (veja relação dos votos na página 22). Tasso Jereissati (PSDB) foi eleito senador. Moroni Torgan (DEM) foi eleito deputado federal com uma votação próxima dos 280 mil votos. Capitão Wagner (PR) conseguiu somar quase 200 mil votos. A presidente Dilma Rousseff, no Ceará, conseguiu mais de 3 milhões de votos, ou 68,30 dos votantes.

A eleição transcorreu normalmente, no entendimento da Justiça Eleitoral. No meio da noite os candidatos começaram a se manifestar sobre os resultados que eram conhecidos. A abstenção foi considerada muito elevada, beirando os 20%. Também foi elevado o quantitativo de votos nulos e branco. Só 4.985.633 eleitores cearenses compareceram às urnas.

Pesquisas

O candidato Camilo Santana (PT) comemorou o resultado do primeiro turno no comitê de campanha junto com aliados e militantes. Em discurso, o petista disparou contra as pesquisas ao afirmar que o eleitorado cearense não se deixou enganar pelos números divulgados ao longo do processo eleitoral.
 

"Isso mostra os erros que as pesquisas tiveram. Principalmente a pesquisa de hoje (a de boca de urna). Isso é ruim porque, muitas vezes, influencia no cenário eleitoral. Então, cabe a população avaliar daqui para frente o risco e o perigo das pesquisas eleitorais", ressaltou, após exaltar que ainda chegou a frente de Eunício Oliveira neste primeiro turno.

Camilo Santana alegou que a melhor pesquisa eleitoral vem do sentimento percebido, principalmente, nas passagens pelos municípios do Interior durante as atividades de campanha.

"A melhor pesquisa vem da rua, do povo. Foi sentir a energia das ruas quando eu ia ao Interior. Então, a maior pesquisa para mim é o que a gente sente nas ruas pela população", destacou.

O petista ainda aproveitou as críticas às pesquisas para fazer uma homenagem a Mauro Filho (PROS), candidato ao Senado, alegando que o aliado alcançou quase o dobro do porcentual previsto nos dados de intenção de voto divulgados ao longo da campanha.

"Queria fazer aqui, além da homenagem a cada um de vocês, três homenagens. Primeiro, a uma pessoa com quem eu convivi durante esses últimos três meses no dia a dia, caminhando e visitando 156 municípios. Quero dizer a ele que ele é um guerreiro. Falo aqui do nosso amigo e companheiro Mauro Filho. Mauro termina a eleição com praticamente 40% dos votos, quase o dobro do que as últimas pesquisas apontavam aqui no Estado do Ceará", pontuou Camilo Santana, ao completar com agradecimentos ao prefeito Roberto Cláudio e ao governador Cid Gomes.

 
O secretário estadual de Saúde, Ciro Gomes, disse em cima do palanque que o candidato Mauro Filho foi o mais prejudicado com a divulgação das pesquisas eleitorais. "Quero fazer uma homenagem ao mais prejudicado de todos por essa criminosa manipulação de pesquisas. Mauro Filho chegou com 40%", acusou Ciro.

Após os discurso, Mauro Filho evitou o contato com a imprensa, deixando o comitê antes dos aliados. Camilo Santana alertou aos militantes, no entanto, que ainda é preciso concentrar forças no segundo turno para garantir o êxito no próximo dia 26 de outubro, data da nova votação.

"Mas nós só vencemos o primeiro turno(...)Meu papel agora é unir as famílias cearenses. Eu quero conversar com todas as famílias cearenses, porque não podemos colocar em risco tudo aquilo que o Ceará conquistou nos últimos sete anos e meio com o governador", frisou.

Ao fazer uma avaliação da campanha em discurso para os militantes, Camilo Santana disse ter sofrido bastante com os rumos que a campanha tomou nesta reta final. "Só Deus sabe o que eu sofri nesse primeiro turno.(...) Mas tem uma coisa na vida, que a verdade sempre vence a mentira. O bem sempre vence o mal. E mesmo com a gente prejudicado com as pesquisas, o povo do Ceará neste primeiro turno soube dar a resposta do caminho que eles querem para o Ceará", ressaltou Camilo.


Governo

Já o governador Cid Gomes assegurou que volta hoje ao Executivo após ter deixado a administração estadual para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral, mas não descartou um novo afastamento na reta final da disputa do segundo turno.

"Vou reassumir o Governo do Estado amanhã (hoje). É o que estava planejado e vai se manter. Vamos acompanhar, me dedicando no finais de semana e no horário fora do expediente. A gente vê a evolução", explicou.Cid Gomes também acusou a formação de uma suposta milícia dentro da Polícia Militar que teria atuado, segundo ele, com o direcionamento para prejudicar a coligação de Camilo Santana.

"Nós fomos vítimas hoje em Fortaleza e em muitos lugares no Interior de uma milícia prendendo direcionadamente militantes da campanha do Camilo. Todo mundo sabe como é que funciona. Na Polícia Militar do Ceará, infelizmente, tem um núcleo que segue orientação desse cidadão que se chama Capitão Wagner. Isso tudo vai ser investigado e é um dos motivos que eu vou voltar ao Governo. Para investigar com muito rigor o que aconteceu", justificou.

O governador ainda revelou uma preocupação de como tentar atrair mais apoio, principalmente, dos eleitores da Capital.

"Vamos ter cinco dias para que a gente identifique onde é que estão os nossos (...) O nosso desafio vai ser mostrar a Fortaleza quem é esse senhor chamado Eunício Oliveira. Onde ele é conhecido, que é o Cariri. Os dois são do Cariri. Camilo é do Cariri e Eunício  do Cariri. Vejam o resultado da eleição. Camilo deve ter dado lá quase três para um. Fortaleza está iludida por um discurso demagógico" disse.

Juízes tentam coibir irregularidades 

A movimentação nos cartórios eleitorais concentrados na Praia de Iracema, na manhã de ontem, foi avaliada como tranquila pelos juízes de plantão na primeira metade do pleito, mas a falta de policiamento em algumas seções eleitorais espalhadas pela Capital, denúncias de crimes de boca de urna e problemas com os fiscais partidários movimentaram o dia dos magistrados e promotores. Alguns juízes chegaram a visitar algumas seções eleitorais para tentar inibir o crime de boca de urna.

Das 4.323 urnas eletrônicas espalhadas pelo Estado, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE), um total de 445 apresentaram algum tipo de danificação, sendo que 310 tiveram que ser substituídas. Somente em Fortaleza, 99 registraram problemas e, dessa soma, 91 na Capital chegaram a ser trocadas.

Denúncia

Na 114ª zona eleitoral, com apenas uma hora de votação, o juiz Josias de Lima já teve que ir à escola Gabriel Cavalcante, no bairro Presidente Kennedy, apurar denúncia de crime de boca de urna. Quando o magistrado chegou ao local, no entanto, policiais militares já tinham cuidado do caso. Em seguida, o juiz percorreu acompanhado do promotor de Justiça as demais seções eleitorais da zona.

De acordo com a chefe de cartório da 114ª zona, Inelda Rocha, a falta de policiamento em algumas seções também foi um dos principais problemas registrados nas primeiras horas da votação. "A gente se preocupa porque nossa zona contempla muitas áreas de conflito entre gangues. Os locais mais críticos são a escola Dom Helder, no Álvaro Weyne. Temos também São José dos Arpoadores como local crítico de segurança", pontuou a chefe do cartório.

Na 94ª zona eleitoral, o chefe do cartório Carlos Helder Silveira também citou a falta de policiamento como o principal problema. "A movimentação no início da votação é sempre intensa, mas segue muito tranquilo. (?) O problema recorrente é a falta de policiamento e estamos em contato com o major para tentar resolver todos os problemas".

Outro problema relatado pela maioria das zonas eleitorais foi a presença de fiscais partidários usando uniformes padronizados durante todo o dia de ontem. "Isso é vedado pela legislação eleitoral e o que tivemos de informação por meio das denúncias de terceiros foi que os fiscais de determinada coligação está utilizando camisas no mesmo padrão com frases como se fossem pedidos de voto. Então, nós estamos orientando que essas pessoas não possam ficar na seção", destacou o juiz da 1ª zona eleitoral, Cid Peixoto.

Os juiz Cid Peixoto esclareceu, no entanto, que o padrão adotado nas seções foi a de orientar aos fiscais que apenas trocassem as camisas ou até as vestissem ao avesso. "Não estamos impedindo os fiscais. Nós estamos impedindo a utilização dessa camisa, porque ela é vedada. Ele pode exercer normalmente seu direito constitucional e legal. A questão não é essa", acrescentou o magistrado.

O juiz da 3ª zona eleitoral, Djalma Benevides, informou que este problema com os fiscais partidários também foi o principal problema. O magistrado ressaltou que ele e a promotora de Justiça iriam percorrer as seções para tentar inibir qualquer irregularidade.

Auxílio

"A nossa promotora vai visitar uma parte das seções e eu vou visitar outra. Não somente para resolver problemas como também para dar apoio e prestar auxílio aos mesários. Acho que a presença física do juiz e da promotora inibe muita coisa. Saber que o juiz está passando, que o juiz está perto inibe essa questão da boca de urna e outros tipos de ocorrências. A minha experiência como juiz no Interior diz que não se deve ficar sentado no Fórum", justificou.

Ontem, logo após o início do pleito, a juíza auxiliar da presidência do TRE, Roberta Pontes, acompanhou o sistema de votação paralela voltado, segundo a magistrada, para atestar o funcionamento e a segurança das urnas eletrônicas.

"Inicialmente, nós recolhemos votos dos representantes de partidos políticos e estudantes, que preencheram cédulas de votação manual há cerca de um mês. Colocamos essas cédulas em urnas de lona para inserirmos no sistema de apoio de votação paralela e nas urnas eletrônicas. Ao final, serão comparados os resultados para que possamos comprovar que os resultados são idênticos. Ou seja, que a urna eletrônica é segura", ressaltou a juíza Roberta Pontes.

Fonte: dn


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