Pedido para criação de CPI da CBF é lido no plenário do Senado

O requerimento do senador Romário (PSB-RJ) para a criação de uma CPI com a finalidade de investigar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi lido em plenário na tarde desta quinta-feira (28) pelo senador Douglas Cintra (PTB-PE), que presidia a sessão. O pedido foi apresentado ao Senado nesta quarta (27), mesmo dia em que foi preso o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.

O requerimento para a criação da CPI recebeu as assinaturas de 50 senadores – o mínimo necessário para se criar uma comissão de inquérito é 27. Com a leitura do requerimento no plenário, os senadores têm até meia-noite para retirar ou incluir assinaturas de apoio ao pedido. Se, após esse prazo, restarem ao menos 27 assinaturas, a CPI é criada e, para ser instalada e entrar em funcionamento, dependerá da indicação pelos líderes partidários dos parlamentares que integrarão a comissão.

Há expectativa de que, até meia-noite, mais senadores assinem o requerimento. Inicialmente, o pedido de criação da CPI tinha o apoio de 53 senadores, mas, no momento da conferência das assinaturas, ficou constatado, segundo a assessoria de Romário, que somente 50 eram válidas porque dois parlamentares colocaram os nomes e não assinaram e outro assinou duas vezes.

A CPI terá sete membros titulares, sete suplentes e 180 dias para investigar possíveis irregularidades em contratos para a realização de partidas da seleção brasileira de futebol e de campeonatos organizados pela CBF, além da realização da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo de futebol de 2014.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que, nesta sexta-feira, pedirá aos líderes partidários a indicação dos nomes dos integrantes da CPI a fim de que os trabalhos possam se iniciar "imediatamente".

"Já mandamos ler, já mandamos ler, nós temos até meia-noite para retirar ou colocar assinaturas, o que não parece ser o caso porque essa Comissão Parlamentar de Inquérito, ela tem mais de 50 assinaturas. Então nós vamos já amanhã [sexta] pedir aos líderes partidários que, por favor, indiquem os nomes para que nós possamos começar imediatamente a investigação", afirmou.

O ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos nesta quarta (27) pelo serviço de inteligência norte-americano (FBI) e pela polícia suíça em Zurique por suspeita de corrupção. Segundo a investigação, Marin teria recebido R$ 19,6 milhões em propina em um esquema de corrupção envolvendo a organização da Copa América. O dirigente também é apontado como destinatário de propina decorrente de contrato de uma competição nacional.

Duas linhas de apuração da investigação do FBI dizem respeito diretamente ao Brasil: suspeita de o superfaturamento do contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material esportivo e compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo de Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil.

Além disso, o FBI investiga também suposto pagamento de propina dos organizadores das copas da Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, a dirigentes da Fifa, para garantir que os países fossem escolhidos como sedes.

Em discurso nesta quinta-feira no plenário do Senado, Romário afirmou que o nome do Brasil está vinculado a "tudo que há de pior" em termos de corrupção esportiva.

"O nome do Brasil está hoje ligado a tudo que há de pior em termos de corrupção esportiva, graças a um dos ratos que venho denunciando há muito tempo, a mesma pessoa que, ao lado da presidente Dilma Rousseff, recebeu chefes de Estado em plena Copa do Mundo de Futebol, José Maria Marin", disse o senador.

Para Romário, a  prisão de Marin é um momento oportuno para uma "devassa" na CBF. O senador se referiu à confederação como "Casa Bandida do Futebol".

"Esse tipo de negociata criminosa é um modus operandi dos dirigentes da CBF, e eles foram os responsáveis pela realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, o que coloca sob suspeita os contratos realizados para estas competições também", declarou Romário.

Câmara
O deputado João Derly (PC do B-RS) protocolou nesta quinta-feira (28) na Secretaria Geral da Câmara requerimento de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no futebol.

Na justificativa, o requerimento argumenta que “são fartas as evidências de que o futebol brasileiro esteja contaminado com negociatas ilegais”. Nesta quarta (27), sete dirigentes da Fifa, incluindo o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), foram presos na Suíça sob a acusação de integrarem um esquema de corrupção.

Segundo a assessoria da bancada do PPS na Câmara, um dos partidos com deputados que apoiam a iniciativa (outros são PC do B, PMDB, PT e PSOL), o requerimento tem assinaturas de cerca de 200 parlamentares – são necessárias ao menos 171 para a criação de uma comissão de inquérito. As assinaturas terão de passar por conferência, antes que o pedido seja lido no plenário.

Mesmo que o requerimento seja lido e a CPI seja criada, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que a comissão terá de entrar na fila. Isso porque, pelo regimento interno da Câmara, somente cinco CPIs podem funcionar simultaneamente. Atualmente, há quatro comissões em funcionamento e dez pedidos de criação de CPI.

“Ela [a CPI do futebol] vai prosperar na fila. Atualmente existem dez pedidos de criação de CPI na Secretaria-Geral da Casa. Somente cinco comissões podem funcionar ao mesmo tempo”, declarou Eduardo Cunha. As CPIs têm prazo de funcionamento de 120 dias, prorrogáveis por mais 60.

Na noite desta quinta, o plenário da Câmara aprovou prorrogar por mais 60 dias o funcionamento da CPI da Petrobras, mas o prazo de outras três comissões de inquérito expirará no final de junho e, se não houver pedido para que sejam prorrogadas, essas vagas estarão abertas a partir de julho.

Fonte: g1


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!