São Paulo fica no empate com o Tigre na Bombonera

Além de começar a definir o campeão da Copa Sul-Americana, a partida desta quarta-feira, entre Tigre e São Paulo, serviu como um aperitivo do que o Tricolor vai encontrar na Taça Libertadores do ano que vem. Muita catimba, discussões, pressão da torcida, erros de arbitragem. Tudo absolutamente inserido dentro do contexto.

E, no primeiro teste, a equipe não passou. Diante de um adversário muito inferior tecnicamente, o time, apesar dos inúmeros recados dados por Ney Franco durante a semana, não teve equilíbrio emocional. Perdeu Luis Fabiano, expulso infantilmente por tentativa de agressão no início do primeiro tempo, e ainda viu outros importantes atletas tomarem cartões amarelos. No fim, o empate por 0 a 0 pode até ser considerado um bom resultado.

Com a igualdade, a decisão ficou para a próxima quarta-feira, no estádio do Morumbi. Como não existe saldo de gols na final, quem vencer será o campeão. Em caso de nova igualdade, o vencedor será conhecido na disputa por pênaltis. E, sem o artilheiro da equipe no ano, com 32 gols, o incentivo dos 65 mil torcedores que lotarão o Cícero Pompeu de Toledo será uma arma importantíssima. 

Luis Fabiano, Tigre e São Paulo (Foto: Agência AFP)
Luis Fabiano lamenta expulsão, após confusão com zagueiro argentino (Foto: Agência AFP)

Luis Fabiano cai em provocação e é expulso logo aos 13 minutos

O capitão Rogério Ceni havia alertado antes da partida: em uma partida entre Brasil x Argentina, é preciso esquecer favoritismo, técnica ou melhor momento. A rivalidade deixa os nervos à flor da pele. E, desde o primeiro minuto de jogo, isso ficou muito claro. O Tricolor tinha mais qualidade com a bola nos pés. Mas logo a catimba argentina, tão corriqueira em jogos de torneios sul-americanos, tratou de equilibrar a partida.

Até então, a equipe brasileira já havia perdido duas boas chances com apenas cinco minutos de jogo. Uma com Lucas, que tabelou com Luis Fabiano, recebeu na área e bateu fraco, facilitando as coisas para Albil. A outra com o Fabuloso, que ficou cara a cara com o goleiro adversário e chutou em cima do seu rival.

Luis FAbiano, Tigre e São Paulo (Foto: Agência Reuters)
Luis Fabiano sai de campo revoltado com a
arbitragem (Foto: Agência Reuters)

Aos 13, o jogo mudou de figura com duas expulsões. Após cometer uma falta feia em Orban, Lucas foi cercado por dois argentinos. Ao tentar defender o companheiro, Luis Fabiano se desentendeu com Donatti. Na confusão, os dois receberam o cartão vermelho do paraguaio Antonio Arias. Um pesadelo para o camisa 9, que estreava em La Bombonera e havia dito na véspera que não iria cair na provocação dos rivais argentinos.

Com um homem a menos de cada lado, o clima ficou muito acirrado. A cada dividida, os jogadores se estranhavam. Em um cruzamento na área tricolor, o atacante Maggiolo foi para cima de Rafael Toloi. Em outro lance, Galmarini acertou Denilson.

Embora tenha continuado com o controle da partida, o São Paulo sentiu demais a perda de sua referência. Tanto que o goleiro Albil só voltou a trabalhar em chute de fora da área de Denilson, aos 26. A torcida do Tigre não chegou a lotar a Bombonera, mas não parou de cantar nem por um instante. Com isso, o time, muito inferior tecnicamente, assustou em dois chutes de fora da área, um de Diaz e o outro de Ferreira. 

Tigre pressiona, São Paulo recua e garante empate até o final

 Os dois times voltaram sem alterações para o segundo tempo. O Tigre retornou com uma postura bem mais agressiva, sempre inflamado por sua fanática torcida. No São Paulo, Ney Franco manteve o desenho tático apostando nas escapas com velocidade de Lucas e Osvaldo. Mas o time perdeu a liberdade que tinha para tocar a bola, já que os argentinos subiram a marcação. As provocações continuam em campo. Rafael Toloi, em novo desentendimento com Maggiolo, levou cartão amarelo.

Percebendo que a equipe havia ficado sem saída, Ney Franco resolveu mexer, sacando Jadson e colocando Cícero. Com isso, Lucas deixou o ataque, virou meia e o polivalente entrou para fazer o papel de referência ofensiva. O problema é que a equipe seguia mostrando descontrole. Em dois minutos, Rhodolfo e Denilson foram acertadamente advertidos com amarelo por faltas violentas.

Mesmo sem ter qualidade com os pés, o Tigre tomou conta do jogo. O São Paulo seguiu sem saída para o ataque. No banco de reservas, um preocupado Ney Franco mandou os outros atletas para o aquecimento. Rogério Ceni, na linha da grande, tentava ajudar, gesticulando e pedindo a movimentação dos atletas.

A partida permaneceu nesse panorama até o final. A equipe da casa teve a posse de bola, mas não sabia o que fazer com ela, enquanto o visitante, encolhido, se defendendo com até nove jogadores, não deu sequer uma finalização ao gol adversário, preferindo segurar a igualdade e levar a decisão para o seu estádio.

Fonte: g1

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